A Nova Direção proposta aqui é uma retomada de rumos já tomados pela Igreja. resgatar valores antigos, mas sem perder o contato com a realidade atual. A mensagem de Jesus continuará relevante, mesmo que seque a erva e murche a flor.
Tudo o que vem dele, é permanente.
O amor de Cristo por nós, sua Palavra, suas promessas e sua posição única no topo do universo, continuam sendo as mesmas, aconteça o que acontecer na base. Se for preciso, vamos mudar o rumo e voltar atrás, para bem longe da cauda.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Líderes ou manipuladores?

2Reis 5.20: Então Geazi, servo de Eliseu, homem de Deus, disse: Eis que meu senhor poupou a este sírio Naamã, não recebendo da sua mão alguma coisa do que trazia; porém, vive o SENHOR que hei de correr atrás dele, e receber dele alguma coisa. 2 Reis 5:20

Quem lida com manifestações sobrenaturais precisa, urgentemente, passar por um inadiável processo de  cura interior. A capacidade de transformar catástrofes em benefícios, nas mãos de um déspota se transforma em instrumento de manipulação. O ambicioso e o megalomaníaco utilizam seus poderes para enriquecimento e para conquistar fama, poder, adulação, elogios e respeito.
Lideres emocionalmente doentes  ameaçam, acusam, aliciam, impõem, manipulam, centralizam, submetem, promovem, rebaixam e demitem. Estes são alguns sintomas que revelam uma personalidade doentia.
Doenças emocionais nas duas pontas constroem um link entre o auditório e o palco. É assim que o carente se liga ao acolhedor, o desesperado ao enganador e o desiludido ao sonhador. É a comida procurando quem tem fome. "Entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões,."Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de paixão" (2Tm 3.6),
A receita e a ideal para fazer um mingau religioso excessivamente calórico e gostoso, atrai pelo cheiro e paladar, mas não é nada nutritivo. Se ilusionistas levitam e evaporam elefantes na frente de expectadores perplexos, por que não podem fazer o mesmo em auditórios religiosos? Truques e tecnologia potencializados por demônios dão a impressão de que os  anjos de luz chegaram. Isto não e muito difícil para quem sabe rugir de tal modo que consegue convencer a todos de que e um leão. "Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar' (1Pd 5.8).
Precisamos avaliar mais objetivamente o que ocorre diante de nossos olhos. A Bíblia nos recomenda a julgar todas as coisas e reter apenas o que e bom. O momento exige uma limpeza corajosa em nossos arraiais. Os que são dos nossos permanecerão, os demais revelarão de que lado eles estão. A sua pele de ovelha vai apodrecer, pois a data de validade esta vencida. Quando o arrebatamento acontecer esta pele se dissolvera em apenas "cinco segundos", ou melhor, imediatamente. O trigo será tirado e os que permanecerem nos canteiros, olharão bestamente para o alto com cara de joio.

ESBÔÇO DO LIVRO DE APOCALIPSE

Esboço do livro

 O esboço de Apocalipse está bem resumido neste texto: “Escreve as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas” (Ap.1.19).

 As coisas que viste (passado) capítulo um. João viu Jesus em toda sua glória e baseados em sua visão, podemos perceber quem é Jesus agora em seu estado glorificado. Ele está entronizado à direita de Deus Pai e não pode ser mais reconhecido como o homem de dores.
Ao invés de vê-lo crucificado, vêmo-lo assentado no trono celestial. Ele é rei hoje e eternamente. Esta parte do livro, composta de apenas um capítulo, mostra portanto o Senhor entronizado no céu. Vê-lo como Rei, fará muita diferença em nosso presente relacionamento com ele.
As coisas que são (o presente) capítulos 2 e 3. Estes dois capítulos de Apocalipse falam da Igreja, que é a representante de Jesus na terra. É uma visão de acontecimentos envolvendo mais diretamente a atual época. É o tempo presente, ou seja, a era da Igreja.      Temos aqui, a descrição de igrejas históricas (existiram mesmo). São igrejas simbólicas, tipificando características vivenciadas pelas igrejas. Mostra momentos de fortaleza, fraqueza, heresia, ortodoxia, de vida, e de mortificação. Neste sentido, poderemos encontrar nas diversas Igrejas militantes em nossos dias, algumas das características narradas aqui.
São igrejas proféticas. Mostra as diversas fases pelas quais a igreja iria passar. Entendemos que a época da Igreja começou no pentecoste e terminará com o arrebatamento. É a história completa da Igreja que está narrada nestes capítulos.

As coisas que irão acontecer (o futuro) capítulos 4 a 22. Os acontecimentos narrados a partir do capítulo 4 de Apocalipse, mostram o que acontecerá depois do arrebatamento. Nesta época grandes acontecimentos transcorrerão diante dos que aqui estiverem. Surgirão coisas como Anticristo, as duas Testemunhas o ressurgimento do império Romano o Amargedom. Cremos que neste instante a Igreja estará com Cristo, nas nuvens, como veremos no transcorrer do livro.          
Apocalipse significa tirar o véu (apokaluyis). Tirar o véu de Jesus glorificado, Tirar o véu da Igreja, Tirar o véu do futuro. Nada ficará por detrás da cortina. Nestes capítulos, apreciaremos acontecimentos futuros e seremos capazes de antecipar detalhes referentes a Igreja, ao Anticristo, ao mundo de um modo geral. Conheceremos as duas testemunhas, veremos o futuro de Israel e daremos uma boa olhada na Nossa morada eterna que é a Nova Jerusalém.
Com este conhecimento poderemos discernir as diferenças entre a verdadeira Igreja e a Igreja apóstata. Acompanhe-nos nesta viagem ao futuro e prepare-se para sentir as emoções que esta viagem ao futuro poderá lhe trazer.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

DIDAQUÊ


Didaqué

Introdução

Didaqué significa «instrução» ou "doutrina». Trata-se de um escrito que data de fins do Séc. I de nossa era e, portanto, bem próximo dos escritos do Novo Testamento. O nome «Instrução dos Doze Apóstolos» lembra At 2,42 ("o ensinamento dos apóstolos"), mas é difícil que a obra tenha sido escrita por algum deles ou seja de um só autor. Os estudiosos hoje estão de acordo em dizer que ela é fruto da reunião de várias fontes escritas ou orais, que retratam a tradição viva das comunidades cristas do Séc. 1. Os lugares mais prováveis de sua origem são a Palestina ou a Síria.

A Didaqué é um manual de religião ou, melhor dizendo, uma espécie de catecismo dos primeiros cristãos. Esse documento nos permite conhecer as origens do cristianismo, e principalmente nos dá uma ideia de como eram a iniciação cristã, as celebrações, a organização e a vida das primeiras comunidades. O autor (ou autores) pertence ao meio judaico-cristão, e dirige seu ensinamento a comunidades formadas por convertidos vindos principalmente do paganismo.

O conteúdo e o estilo da Didaqué lembram imediatamente muitos textos do Antigo e do Novo Testamento, bem como outros escritos criados do séc. 1 d.C. O tom e os temas de muitas exortações se parecem bastante com os da literatura sapiencial e diversos trechos dos evangelhos. Dessa forma, esse catecismo das comunidades da Igreja Primitiva é testemunho vivo de como os primeiros cristãos se alimentavam da Palavra de Deus contida nas Escrituras, transformando e interpretando os textos bíblicos em vista de suas necessidades e situações.

A leitura da Didaqué faz logo sentir que as comunidades cristãs daquele tempo ainda não estavam completamente estruturadas. As comunidades não têm representante oficial fixo (padre ou vigário), os bispos e diáconos são mencionados de passagem, e não sabemos bem quais funções exerciam. Fala-se diversas vezes em «apóstolos, profetas e mestres", dando a impressão de que eram propriamente pregadores itinerantes a serviço de diversas comunidades. Por outro lado, nota-se que a liturgia é também muito simples e se resume a celebrações feitas em clima doméstico. Os sacramentos mencionados pertencem à iniciação cristã - batismo, confissão, eucaristia - e parecem ser todos administrados pela comunidade, e não por um membro do clero, ainda inexistente.

Visível, contudo, do clima que a comunidade vive, dentro de uma sociedade estruturalmente pagã. A preocupação de não se confundir com o ambiente, de não se deixar manipular por aproveitadores oportunistas (até mesmo disfarçados de profetas), a esperança um pouco nervosa de uma escatologia próxima e o tema da perseverança heróica no caminho da fé são características das comunidades nascentes, que ainda estão descobrindo sua vocação e missão no mundo.

* * *

A Didaqué é um convite para as comunidades cristãs em formação descobrirem sua origem e jovialidade próprias. Ela nos faz lembrar que a fonte inspiradora do comportamento, da oração e das celebrações é a Bíblia. Sobretudo, mostra que o cristianismo não é devoção individualista, mas um caminho comunitário em que todos os setores da vida e do comportamento devem ser penetrados pela Palavra de Deus e pela oração. Na sua simplicidade e profundidade, estimula a viver a vida cotidiana à luz do Evangelho vivo, dentro de um discernimento que frutifica em atos novos, geradores de fraternidade e partilha. Escrita principalmente para os pagãos (nações), ela ainda salienta que o cristianismo não é uma redoma onde a comunidade se refugia, mas um fermento que se expande para transformar toda a sociedade

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DIDAQUE

INSTRUÇÃO DOS DOZE APÓSTOLOS

Instrução do Senhor para as nações, por meio dos doze apóstolos

Traduzido para o português a partir do texto (em inglês) de

J. B. Lightfoot, Athena Data Products, 1990.

A. OS DOIS CAMINHOS

Capítulo 1

1Existem dois caminhos: um é o caminho da vida, e outro, o da morte. A diferença entre os dois é grande.

Viver é amar

2 O caminho da vida é este: Em primeiro lugar, ame a Deus, que criou você. Em segundo lugar, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça a outro nada daquilo que você não quer que façam a você.

3 0 ensinamento que deriva dessas palavras é o seguinte: Bendigam aqueles que os amaldiçoam e rezem por seus, inimigos, e ainda jejuem por aqueles que os perseguem. Com efeito, se vocês amam aqueles que os amam, que graça vocês merecem? Os pagãos não fazem o mesmo? Quanto a vocês, amem aqueles que os odeiam, e vocês não terão nenhum inimigo.

A violência do amor

4 Não se deixe levar pelos impulsos instintivos. Se alguém lhe dá uma bofetada na face direita, ofereça-lhe também a outra face, e você será perfeito. Se alguém o força a acompanhá-lo pelo espaço de um quilômetro, acompanhe-o por dois; se alguém tira o seu manto, entregue-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que pertence a você, não a peça de volta, pois você não poderá fizer isso.

O amor de partilha

5 Dê a quem pede a você e não peça para devolver, pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Feliz aquele que dá conforme o mandamento, porque será considerado inocente. Aí de quem recebe: se recebe por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebe sem ter necessidade, deverá prestar contas do motivo e da finalidade pelos quais recebeu. Será posto na prisão e interrogado sobre o que fez; e dai não sairá até que tenha devolvido o último centavo.

6 A esse respeito, também foi dito: Que a sua esmola fique suando nas mãos, até que você saiba para quem a está dando.

Exigências do amor ao próximo

Capítulo 2

1 O segundo mandamento da instrução é este:
2 Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique magia, nem feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe, nem depois que ela tenha nascido.

3 Não cobice os bens do próximo, não jure falso, nem preste falso testemunho. Não seja maledicente, nem vingativo.

4 Não seja duplo no pensar e no falar, porque a duplicidade é armadilha mortal.

5 Que a sua palavra não seja falsa ou vazia, mas se comprove na prática.

6 Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.

7 Não odeie a ninguém, mas corrija uns, reze por outros, e ainda ame aos outros, mais do que a si mesmo.

As raízes do mal e do bem
Capítulo 3

1 Meu filho, procure evitar tudo o que é mau e tudo o que se pareça com o mal.
2 Não seja colérico, porque a ira conduz para a morte. Também não seja ciumento, nem briguento ou violento, porque os homicídios nascem de todas essas coisas.

3 Meu filho, não seja cobiçoso de mulheres, porque a cobiça leva à fornicação. Evite falar obscenidades e olhar com malícia, pois os adultérios surgem de todas essas coisas.

4 Meu filho, não seja dado à adivinhação, pois a adivinhação leva à idolatria. Também não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre essas coisas, pois de todas essas coisas provém a idolatria.

5 Meu filho, não seja mentiroso, porque a mentira leva ao roubo. Não seja ávido de dinheiro, nem cobice a fama, porque os roubos nascem de todas essas coisas.

6 Meu filho, não seja murmurador, porque a murmuração leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa, pois as blasfêmias nascem de todas essas coisas,

7 Seja manso, porque os mansos receberão a terra como herança.

8 Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranqüilo e bom, respeitando sempre as palavras que você tiver ouvido.

9 Não se engrandeça a si mesmo, nem se entregue à insolência. Não se junte com os "grandes", mas converse com os justos e pobres.

10 Aceite como boas as coisas que lhe acontecem, sabendo que nada acontece sem o consentimento de Deus.

A pessoa inserida na comunidade

Capítulo 4

1 Meu filho, lembre-se dia e noite daquele que anuncia a palavra de Deus para você e honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois o Senhor está presente onde é anunciada a soberania do Senhor,

2 Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis, para encontrar apoio nas palavras deles.

3 Não provoque divisão. Pelo contrário, reconcilie aqueles que brigam entre si. Julgue de modo justo, corrigindo as culpas sem &zer diferença entre as pessoas.

4 Não fique hesitando sobre o que vai ou não acontecer.

5 Não seja como os que estendem a mão na hora de receber e a retiram na hora de dar.

6 Se você ganha alguma coisa com o trabalho de suas mãos, ofereça-o como reparação por seus pecados.

7 Não hesite em dar, nem dê reclamando, pois você sabe quem é o verdadeiro remunerador da sua recompensa.

8 Não rejeite o necessitado. Divida tudo com o seu irmão, e não diga que são coisas suas. Se vocês estão unidos nas coisas que não morrem, tanto mais nas coisas perecíveis.

9 Não se descuide de seu filho ou de sua filha; pelo contrário, instrua-os desde a infância no temor de Deus.

10 Não dê ordens com rudeza ao seu servo ou à sua serva, pois eles esperam no mesmo Deus que você, para que não percam o temor de Deus, que está acima de uns e outros. Com efeito, ele não virá chamar a pessoa pela aparência, mas aqueles que o Espírito preparou.

11 Quanto a vocês, servos, sejam submissos aos seus senhores, com respeito e reverência, como à imagem de Deus.

12 Deteste toda hipocrisia e tudo o que não seja agradável ao Senhor.

13 Não viole os mandamentos do Senhor. Guarde o que você recebeu, sem nada acrescentar ou tirar,

14 Confesse as suas faltas na reunião dos fiéis, e não comece a sua oração com má consciência.

Este é o caminho da vida.

O caminho da morte

Capítulo 5

1 O caminho da morte é este: Em primeiro lugar, é mau e cheio de maldições: homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatrias, práticas mágicas, feitiçarias, rapinas, frisos testemunhos, hipocrisias, duplicidade de coração, fraude, orgulho, maldade, arrogância, avareza, conversa obscena, ciúme, insolência, altivez, ostentação e ausência de temor de Deus.

2 Par esse caminho andam os perseguidores dos bons, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os que ignoram a recompensa da justiça, os que não desejam o bem nem o julgamento justo, os que não ficam atentos para o bem, mas para o mal. Deles está longe a calma e a paciência; são amantes das coisas vis, ávidos de recompensas, não se compadecem do pobre, não se importam com os atribulados, não reconhecem o seu Criador. São ainda assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam o necessitado, oprimem o aflito, defendem os ricos, são juizes injustos com os pobres e, por fim, são pecadores consumados.

Filhos, afastem-se de tudo isso.
Perfeição é servir ao Senhor

Capítulo 6

1 Fique atento para que ninguém o afaste deste caminho da instrução, pois aquele ensinaria a você coisas que não pertencem a Deus.

2 Se puder carregar todo o jugo do Senhor, você será perfeito. Se isso não for possível, faça o que puder.

3 Quanto à comida, observe o que você puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos, porque esse é um culto a deuses mortos.

B. CELEBRAÇÃO DA VIDA

Capítulo 7

O batismo

1 Quanto ao batismo, procedam assim: Depois de ditas todas essas coisas, batizem em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

2 Se você não tem água corrente, batize em outra água; se não puder batizar em água fria, faça-o em água quente.

3 Na falta de uma e outra, derrame três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

4 Antes do batismo, tanto aquele que batiza como aquele que vai ser batizado~ e se outros puderem também, observem ojejum. Aquele que vai ser batizado, você deverá ordenar jejum de um ou dois dias.

Capítulo 8

O jejum e a oração

1 Que os jejuns de vocês não coincidam com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e

no quinto dia da semana. Vocês, porém, jejuem no quarto dia e no dia da preparação.

2 Não rezem como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou no seu Evangelho. Rezem assim: "Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia, perdoa a nossa divida, assim como também nós perdoamos aos nossos devedores, e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o poder e a glória para sempre".

3 Rezem assim três vezes por dia.

Capítulo 9

A celebração eucarística

1 Celebrem a Eucaristia deste modo:

2 Digam primeiro sobre o câlice: «Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. A ti a glória para sempre".

3 Depois digam sobre o pão partido: «Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. A ti a glória para sempre.

4 Do mesmo modo como este pão partido tinha sido semeado sobre as colinas, e depois recolhido para se tornar um, assim também a tua Igreja seja reunida desde os confins da terra no teu reino, porque tua é a glória e o poder, por meio de Jesus Cristo, para sempre".

5 Ninguém coma nem beba da Eucaristia, se não tiver sido batizado em nome do Senhor, porque sobre isso o Senhor disse: "Não dêem as coisas santas aos cães".

Capítulo 10

Agradecimento depois da eucaristia

1 Depois de saciados, agradeçam deste modo:
2 Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo Nome, que fizeste habitar em nossos corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. A ti a glória para sempre.

3 Tu, Senhor Todo-Poderoso, criaste todas as coisas por causa do teu Nome, e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, porém, deste uma comida e uma bebida espirituais, e uma vida eterna por meio do teu servo.

4 Antes de tudo, nós te agradecemos porque és poderoso. A ti a glória para sempre.

5 Lembra-te, Senhor, da tua Igreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu reino que lhe preparaste, porque teu do poder e a glória para sempre.

6 Que a tua graça venha, e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Quem é fiel, venha; quem não é fiel, converta-se. Maran atá, Amém."

7 Deixem os profetas agradecer à vontade.

C. VIDA COMUNITÁRIA

Capítulo 11

Verdadeiros e falsos pregadores

1 Se alguém vier até vocês ensinando tudo o que foi dito antes, deve ser acolhido.

2 Mas se aquele que ensina for perverso e expuser outra doutrina para destruir, não lhe dêem atenção. Contudo, se ele ensina para estabelecer a justiça e o conhecimento do Senhor, vocês devem acolhê-lo como se fosse o Senhor.

3 Quanto aos apóstolos e profetas, procedam conforme o princípio do Evangelho.

4 Todo apóstolo que vem até vocês seja recebido como o Senhor.

5 Ele não deverá ficar mais que um dia ou, se for necessário, mais outro. Se ficar por três dias, é um falso profeta.

6 Ao partir, o apóstolo não deve levar nada, a não ser o pão necessário até o lugar em que for parar. Se pedir dinheiro, é um falso profeta.

7 Não coloquem à prova nem julguem um profeta que em tudo fala sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas esse não será perdoado.

8 Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser que viva como o Senhor. É assim que vocês reconhecerão o falso e o verdadeiro profeta.

9 Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa, não deve comer dela. Caso contrário, trata-se de um friso profeta.

10 Todo profeta que ensina a verdade, mas não pratica o que ensina, é um falso profeta.

11 Todo profeta comprovado e verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, mas não ensina a fazer como ele faz, não será julgado por vocês, Ele será julgado por Deus. Assim também fizeram os antigos profetas.

12 Se alguém disser sob inspiração: "Dê-me dinheiro" ou qualquer outra coisa, não o escutem. Contudo, se ele pedir para dar a outros necessitados, então ninguém o julgue.

Capítulo 12

Hospitalidade com discernimento

1 Acolham todo aquele que vier em nome do Senhor. Depois, examinem para conhecê-lo, pois vocês têm juízo para distinguir a esquerda da direita.

2 Se o hóspede estiver de passagem, dêem-lhe ajuda no que puderem; entretanto, ele não permanecerá com vocês, a não ser por dois dias, ou três, se for necessário.

3 Se quiser estabelecer-se com vocês e tiver uma profissão, então trabalhe para se sustentar.

4 Se ele, porém, não tiver profissão, procedam conforme a prudência, para que um cristão não viva ociosamente entre vocês.

5 Se ele não quiser aceitar isso, é um comerciante de Crista Tenham cuidado com essa gente.

Capítulo 13

Sustentação do profeta

1 Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se entre vocês é digno do seu alimento.

2 Da mesma forma, também o verdadeiro mestre é digno do seu alimento, como todo operário.

3 Por isso, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê para os profetas, pois eles são os sumos sacerdotes de vocês.

4 Se, porém, vocês não têm nenhum profeta, dêem aos pobres.

5 Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito.

6 Da mesma forma, ao abrir uma vasilha de vinho ou de óleo, tome a primeira parte e a dê aos profetas.

7 Tome uma parte do seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, conforme lhe parecer oportuno, e os dê conforme o preceito.

Capítulo 14

A celebração dominical

1 Reunam-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro.

2 Aquele que está de briga com seu companheiro, não poderá juntar-se a vocês antes de se ter reconciliado, para que o sacrifício que vocês oferecem não seja profanado.

3 Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: "Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro, porque eu sou um grande rei, diz o Senhor, e o meu Nome é admirável entre as nações".

Capítulo 15

A vivência comunitária

1 Escolham para vocês bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens
mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados, porque eles também exercem para vocês o ministério dos profetas e dos mestres.

2 Não os desprezem, porque entre vocês eles têm a mesma dignidade que os profetas e mestres.

3 Corrijam-se mutuamente, não com ódio, mas com paz, como vocês têm no Evangelho. E ninguém fale com nenhuma pessoa que tenha ofendido próximo; que essa pessoa não escute nenhuma palavra de vocês, até que se tenha arrependido.

4 Façam suas orações, esmolas e todas as ações, da forma que vocês têm no Evangelho de nosso Senhor.

D. PERSEVERAR ATE O FIM

Capítulo 16

1 Vigiem sobre a vida de vocês. Não deixem que suas lâmpadas se apaguem, nem soltem o cinto dos rins, Fiquem preparados, porque vocês não sabem a que hora o Senhor nosso vai chegar.

2 Reúnam-se com freqüência para procurar o que convém a vocês. Porque de nada lhes servirá todo o tempo que vocês viveram a fé, se no último momento vocês não estiverem perfeitos.

3 De fato, nos últimos dias, os falsos profetas e os corruptores se multiplicarão, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se transformará em ódio,

4 Crescendo a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então aparecerá o sedutor do mundo, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.

5 Então toda criatura humana passará pela prova de fogo, e muitos ficarão escandalizados e perecerão. Contudo, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.

6 Então aparecerão os sinais da verdade. Primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta e, em terceiro lugar, a ressurreição dos mortos.

7 Ressurreição sim, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá, e todos os santos estarão com ele".

8 Então o mundo verá o Senhor vindo sobre as nuvens do céu.

Explicações

Explicações do Pe. Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin – "Didaqué – O catecismo dos primeiros cristão para as comunidades de hoje" – São Paulo: Edições Paulinas, 1989.

Cap. 1 a 4 - Catequese fundamental para aqueles que desejam viver e se comportar de modo cristão. O caminho da vida é apresentado nos capítulos 1-4; o da morte, no capítulo 5; o capítulo 6 traz a exortação final desta parte.

1,1 - 0 cristão deve fazer uma escolha fundamental, que definirá toda a sua vida e destino. Não é possível andar com os pés em duas canoas. Só há um caminho que produz vida e realização. Os outros caminhos levam inevitavelmente para a morte em diversos sentidos e níveis.

1,2 - 0 ponto de partida da vida cristã é o amor a Deus, a si mesmo e ao próximo. A medida do amor ao próximo é a mesma do amor que se tem para consigo mesmo. E todas as pessoas, até mesmo os inimigos, são indistintamente o próximo. O amor aos inimigos mostra a originalidade, a radicalidade e gratuidade do amor cristão. Isso não significa que os cristãos não têm inimigos, e sim que eles não são inimigos de ninguém.

1,4 - 0 cristão não age por simples impulso instintivo. Diante da violência, ele não responde com outra semelhante, mas com a violência maior do amor, que é capaz de desarmar o violento. A proibição no final do versículo se refere ao empréstimo ao pobre, que poderia passar necessidade se tivesse de devolver (cf. Dt 24,10-13).

1,5 - Deus dá os bens da vida para serem repartidos entre todos. Por isso, o cristão é capaz de partilhar seus bens com aqueles que não têm. Quem recebe deve ter discernimento, pois o espírito de partilha não deve ser usado como pretexto para acumular ou desperdiçar. Toda contribuição social deve reverterem beneficio do bem comum e não em privilégio daqueles que manipulam a máquina social.

1,6 - Não basta ajudar materialmente o necessitado para desencargo de consciência. É preciso entrar em comunhão, participando de toda a situação do pobre, porque nem sempre a ajuda material é o aspecto mais importante. O grande desafio é acabar com a pobreza, e não simplesmente conservar os pobres como ocasião de fazer caridade.

Capítulo 2

2, 1 a 7 - É uma espécie de recapitulação e ampliação das consequências do Decálogo, retomando o mandamento do amor ao próximo (1,2). O relacionamento interpessoal é enfocado a partir da integridade e veracidade em relação aos outros. As diversas normas podem ser resumidas em três grandes linhas: o respeito à vida, aos bens e à fama do próximo. Tais normas não devem ser compreendidas apenas em si mesmas; elas pressupõem o clima fundamental da vida cristã, que exige fraternidade e partilha (cf. 1,5). O que se requer em primeiro lugar não é a bondade, mas a justiça.

Capítulo 3

3,1: Principio geral: evitar o mal que, a seguir, é apresentado como conseqüência do egoísmo, da falta de auto-controle e da ambição.

3,2 e 3 - Homicídio e adultério têm suas respectivas raízes na falta de auto-controle e na cobiça. Cobiçar não é simplesmente desejar, mas fazer planos e armadilhas para se apropriar daquilo que se deseja.

3,4 - Idolatria é a manipulação do sagrado ou de alguma coisa que é apresentada como sagrada, em vista dos próprios interesses. Essa é a magia que as pessoas usam para conseguir poder e dominação sobre os outros. A pessoa que tem poder acaba acreditando e fazendo os outros acreditarem que ela é absoluta e divina. Essa é a raiz de todo o processo de dominação e opressão religiosa ou política.

3,5 - A mentira oculta uma verdade, à qual o próximo tem direito. Essa ocultação visa os interesses de alguém: dinheiro, prestigio, fama. Ao lado do poder, a riqueza é o outro grande ídolo. Se o poder-dominação é roubo da liberdade, a riqueza é roubo dos bens a que todos têm direito.

3,6 - Blasfêmia é dizer que o projeto de Deus é mau. A murmuração, a insolência e a mente perversa levam à dúvida, à reclamação e, por fim, à blasfêmia. Cf. Ex 16,1-3.

3,7-9 - Desde o inicio de sua existência, a comunidade cristã é convidada a optar pelas pobres, pois são eles que buscam e podem realizar a justiça que Deus quer. Todas as qualidades aqui apresentadas pertencem aos pobres e justos que acreditam no anúncio do Evangelho e lutam pelo reino da justiça. Sua força não vem das armas, mas da violência do amor que persevera, certos da promessa de que os mansos receberão a terra como herança.

3,10 - O cristão sabe que a vida e a história obedecem em primeiro lugar ao projeto de Deus, que quer a vida para todos. Por isso, ele é sempre levado a buscar o significado profundo dos acontecimentos, para além de nus caprichos e interesses imediatos.

Capítulo 4

4,1-14 - Centralizada no amor a Deus e ao próximo, a vida cristã é essencialmente uma realização essencialmente, onde tudo é partilhado fraternalmente.

4,1 - As comunidades ainda não conhecem os Evangelhos escritos. O Evangelho é uma palavra viva, preservada anunciada por pregadores itinerantes, que servem as comunidades e, ao mesmo tempo, dependem delas.

4,2-3 - A comunidade é o ambiente vital dos cristãos, onde eles partilham a vida e encontram apoio para perseverar. Sendo ela mesma o valor máximo, a comunidade deve ser preservada de qualquer divisão, que provém principalmente da competição pelo poder, da busca de privilégios e de sectarismos. A preocupação com a reconciliação é um dever de todos, e supõe imparcialidade quando aparecem conflitos.

4,4-8 - A comunidade cristã reconhece que tudo o que ela é e possui é dom de Deus. Ao mesmo tempo, desde a sua origem, ela se voltou para acolher os pobres e marginalizados. Ora, estes dependem estritamente do espírito de dom e partilha. O importante é que na comunidade o espírito de posse é totalmente superado pelo conceito de necessidade do uso e partilha Deus dá tudo, para que todos repartam tudo, segundo as necessidades de cada um. Viver em comunidade, portanto, supõe que cada um confie plenamente no dom de Deus, libertando-se da preocupação individual e calculista com o amanhã (v. 4).

4,9 - Viverem comunidade supõe educação para isso. E o ponto fundamental é a instrução no temor de Deus. Não se trata de ter medo de Deus, mas de reconhecer que Deus é o Senhor e doador da vida, e seu projeto é que todos repartam a vida entre todos. A educação cristã começa por aqui, mostrando para as pessoas que elas não são auto-suficientes e independentes, mas interdependentes, complementando-se mutuamente na partilha do que cada um é e tem.

4,10-11 - O projeto de Deus é a fraternidade, que desfaz toda e qualquer desigualdade entre as pessoas, para formar a grande família humana. Isso não quer dizer que as pessoas se tornem idênticas; cada um é original e tem sua função própria dentro da sociedade, em proveito do bem comum. Função diferente não quer dizer que uma pessoa seja mais que a outra ou que tenha mais direitos e privilégios, em vista do que é, do que faz ou produz. Todos são necessários e todos têm direito ao necessário para viver dignamente. O v. 11 mostra que as comunidades nascentes ainda não tinham consciência de que o Evangelho exige transformações estruturais para acabar com a desigualdade e a exploração. Todos devem ser respeitados, porque todos são imagem de Deus.

4,12-13 - Defender uma doutrina sem se preocupar com a prática é hipocrisia, um dos grandes males que ameaçam a comunidade. Por outro lado, guardar os mandamentos não é simplesmente repeti-los de cor, mas fazer o que eles ordenam. Trata-se certamente do mandamento de amar a Deus e ao próximo.

4,14 - A confissão aqui não aparece como sacramento juridicamente estruturado. Provavelmente, os cristãos declaravam meus pecados em comunidade, e esta era responsável pelo perdão. Para que a comunidade esteja viva são necessários a confissão e o perdão, que abrem sempre a possibilidade de se converter ao projeto de Deus. A oração autêntica é feita dentro do projeto de Deus e em vista da sua realização (Cf. 1Jo 5,14).

Capítulo 5

5,1-2 - Se o caminho da vida é temer a Deus e amar a Deus e ao próximo; a caminho da morte é o contrário: começa com a ausência do temor de Deus. Sem esse temor, o homem se coloca no lugar de Deus e passa a se julgar como centro e senhor da vida, dispondo de tudo e de todos sem amenor consideração pela vida e liberdade se seus semelhantes. Quando o homem usurpa o lugar de Deus, cria automaticamente o projeto da escravidão e da morte. A lista de vicios e pecados testemunha a monstruosidade da auto-suficiência.

Capítulo 6

6,1-3 - É a conclusão da primeira parte, exortando ao discernimento para não desfigurar o caminho da vida cristã. 0 jugo do Senhor é, provavelmente, o Evangelho vivo, que está representado nesta primeira parte. Não se trata, porém, de imposição, mas de proposta e convite a serem aceitos na medida da possibilidade de cada um. A perfeição deve ser entendida aqui como integridade. 0 v. 3 se refere às disposições tomadas no Concílio de Jerusalém (Cf. At 15,29).

Capítulo 7

Cap. 7 a 10 - É um antigo ritual litúrgico com instruções para administração do batismo (7), sobre o jejum e a oração (8) e sobre a celebração eucarística (9 e 10).

7,1-4 - Nesse tempo, a administração do batismo era feita depois de uma etapa de catequese (‘depois de ditas todas essas coisas"), representada certamente pelos capítulos 1 a 6. Antes da cerimônia, fazia-se um jejum, do qual participavam o batizando, aquele que batizava e outras pessoas que pudessem. A cerimônia propriamente dita era realizada em comunidade. O ritual é simples e se reduz ao batismo com a água e à invocação da Trindade.

A menção de diversas possibilidades (vv. 1-3) faz supor que o mais usual era a imersão em água corrente (rio), ou em outra água (piscina, reservatório). Na impossibilidade disso, bastava derramar três vezes água na cabeça do batizando.

A instrução e o jejum mostram que o batismo era administrado somente para as pessoas adultas. A administração do batismo parece não estar restrita a um ministro especial.

Capítulo 8

8,1-2 - Oração e jejum são duas práticas intimamente ligadas. O jejum lembra à pessoa que existe uma fome maior, que só a vinda do Reino de Deus pode satisfazer. A oração mantém a pessoa aberta para o projeto de Deus e consciente dos pedidos essenciais, para que esse projeto se realize.

O povo desnutrido que passa fome está fazendo jejum contra a sua vontade e, ao mesmo tempo e por causa disso, erguendo o seu clamor para que venha o Reino, a fim de que este, com sua justiça, o liberte de todas as fomes.

Capítulos 9 e 10

Cap. 9 e 10 - A Eucaristia aqui mencionada diverge bastante do rito eucarístico que hoje conhecemos. Talvez não existisse uma fórmula fixa de celebração. O texto deixa claro que a Eucaristia era celebrada dentro de uma refeição comum, que podia ser participada unicamente pelos batizados, isto é, por aqueles que, após a instrução, se haviam comprometido com o projeto de Jesus. Destaca-se também o aspecto da Eucaristia como sacramento de unidade da Igreja (9,4 e 5,5). A observação de 10,7 mostra o ritmo da celebração, que era bastante livre e participativo.

Capítulo 11

Cap. 11 a 15 - Disposiç5es sobre a vida comunitária, com especial atenção para com a hospitalidade e o discernimento dos verdadeiros pregadores (11 e 13), o culto (14) e a organização (15).

11,1-12 - Segundo a Didaqué, as comunidades da Igreja primitiva conheciam os apóstolos, os profetas e mestres. Difícil saber a diferença entre eles, pois parece que a função dos três era anunciar o Evangelho e ensinar. Por outro lado, a insistência na hospitalidade para esses três tipos de pessoas indica talvez que eles exerciam seu ministério de maneira itinerante, visitando as diversas comunidades. Uma das principais dificuldades era distinguir o verdadeiro do falso pregador. Para isso, a comunidade chegou a diversos critérios para reconhecer o verdadeiro pregador: ensinara justiça e o conhecimento do Senhor (v. 2), falar sob inspiração (v. 7), viver como o Senhor (v. 8), praticar o que ensina (v. 10). O falso pregador é aquele que explora a comunidade (v. 5-6.9) e não pratica o que ensina (v. 10).

O respeito pelos pregadores é muito grande, pois nesse tempo a comunidade dependia deles para conhecer o Evangelho. De certa forma, podemos dizer que o pregador, através de sua palavra e vida, era a personificação viva do Evangelho. Porque os Evangelhos que hoje conhecemos eram escritos que circulavam somente em algumas comunidades.

Capítulo 12

12,1-5 - A comunidade cristã vive o clima da fraternidade e da partilha e, por isso, está sempre aberta para acolher aqueles que necessitam de ajuda. Isso, porá», pode tornar-se ocasião para que aproveitadores explorem a boa vontade da com unidade, O discernimento deve atingir também outras áreas de exploração, para que a comunidade não aja manipulada em favor de interesses alheios ao projeto de Jesus. Não basta ser bom: é preciso ser justo e ter muito bom-senso.

Capítulo 13

13,1-7 - O pregador ou agente de pastoral, que emprega todo o seu tempo na evangelização, fica por isso mesmo dependendo das comunidades para sobreviver. Sua situação equivale à dos pobres. Toda comunidade deve preocupar-se não só em sustentar seus agentes, mas também dar-lhes possibilidade para que, de fato, possam prover às necessidades da evangelização.

Capítulo 14

14,1-3 - A Eucaristia é a celebração da fraternidade. Para que ela não seja profanada no seu significado profundo, exige-se reconciliação, não só no momento do culto, mas na vida concreta. Sem isso, o culto não tem sentido.

Capítulo 15

15,1-2 - A Igreja nascente viu-se logo diante dois modelos de comunidade. O primeiro era a comunidade palestinense, mais ligada à tradição, e onde estavam presentes os apóstolos e presbíteros. Na Didaqué, as figuras dos apóstolos, profetas e mestres parecem lembrar esse tipo de Igreja, de modelo judaico, onde também encontramos os sacerdotes, profetas e mestres de sabedoria, O outro modelo de Igreja nasceu fora da Palestina, e era muito mais voltado para a missão e as necessidades que daí surgiam. Esse segundo tipo de Igreja logo teve necessidade de servidores para a comunidade (diáconos) e de supervisores para as diversas comunidades (bispos), escolhidos em clima democrático.

Toda comunidade vive na tensão entre a tradição e a missão. Tradição significa ser fiel ao compromisso com o projeto de Jesus, e a misto significa encarnar esse projeto, respondendo aos desafios de cada tempo e lugar. Essa tensão se resolve quando mantemos um olho no Evangelho e o outro na vida.

15,3 - 0 cimento da vida comunitária é a correção mútua, feita com espírito fraterno. Perdoar-se e reconciliar-se mutuamente é o sacramento básico, porque não é bom viver sozinho, como não é fácil viver junto. De tal modo isso é importante que a comunidade deve ser implacável: isolar completamente quem ofendeu o próximo, até que ele aprenda na própria pele a necessidade da reconciliação.

15,4 - A vida cristã tem na sua frente o Evangelho em exprime como oração (ligação com Deus), esmola (socorro imediato ao próximo necessitado) e ação (transformação da sociedade pecadora na comunidade fraterna que Deus quer).

Capítulo 16

16,1-8 Os cristãos vivem continuamente à espera que se manifestem Jesus e o seu projeto. Isso se realizará totalmente no fim da história. Contudo, é através do momento presente que esse final vai sendo pouco a pouco construído. É essa a esperança que produz perseverança.

16,1-2 - Jesus chega no momento em que a comunidade está colocando em prática o projeto dele. Por isso, a comunidade se reúne para discernir o modo como irá realizar o projeto de Jesus, respondendo aos problemas e desafios do ambiente em que ela vive.

16,3-5 - A comunidade vive na história em constante prova de fogo, porque deve enfrentar projetos contrários ao de Jesus. Muito se apresentam semeando a injustiça, a desigualdade e o ódio, com todas a conseqüências que daí provêm. Por isso o testemunho cristão se faz em meio a conflitos e lutas, e a comunidade deve estar sempre discernindo, para fazer a coisa certa no momento certo. A união e a solidariedade são necessárias para evitar o desespero e o desânimo.

16,6-8 - É através do testemunho cristão que, pouco a pouco, aparecem os sinais da verdade. A abertura no céu permite que os cristãos compreendam o que acontece na história, porque são capazes de ver com os olhos de Deus. Então compreendem que o julgamento (toque da trombeta) se realiza através do testemunho. E quem testemunhar até o fim terá o mesmo destino que Jesus: a ressurreição. Fica então claro que a ressurreição é para os justos, isto é, para aqueles que se comprometem com Jesus e seu projeto. É desse modo que Jesus aparecerá vitorioso, e o projeto de Deus estará completamente realizado: liberdade e vida para todos.

Uma análise do documento e pode estar correta  (eu disse "pode").

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Aventuras do Profeta Elias - Entrega a domicílio

      
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Bife Delivery

-1Reis 19.1-3: E Acabe fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito, e como totalmente matara todos os profetas à espada. Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, a dizer-lhe: Assim me façam os deuses, e outro tanto, se de certo amanhã a estas horas não puser a tua vida como a de um deles. O que vendo ele, se levantou e, para escapar com vida, se foi, e chegando a Berseba, que é de Judá, deixou ali o seu servo (1 Reis 19:1-3)

Difícil acreditar que apesar de Elias não demonstrar nenhum temor dos 400 profetas de Baal, fugiu de Jezabel. Provavelmente acreditasse que aquela mulher era uma bruxa capaz de catalisar poderes ainda maiores do que conseguiriam todos os profetas de Baal.

Pode ser que ela realmente fosse tudo isso e  alardeasse exageradamente os seus poderes místicos, o que infundia grande temor a todos. Acabe também acreditava, pois foi com ela que se queixou de Elias. Ela mesma parecia acreditar e os seus lábios proferiram ameaças ao servo de Deus. O medo nos transforma em homens comuns, seres medíocres, incapazes de mensurar o poder de Deus.
Elias era um ser humano igual a nos e deve ter perguntado o que também perguntaríamos.

- Será que Jezabel pode apagar o fogo de Jeová?
- Quem sabe ela levava na varinha uma espécie de Exu bombeiro!!!
- E se Deus achar que não mereço???
1Reis 17:4: Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.

Elias partiu para um forcado retiro espiritual onde recebeu de Deus a provisão necessária. Como parte de seu aprendizado foi alimentado por corvos. Era como se Deus dissesse: - Se para alimentar você, uso aves imundas, presenças constantes em rituais macabros, então posso controlar ate quem as manipula.

E você, de que tem medo? Este sentimento pode desmontar as suas defesas e enfraquecer os sistemas de defesa montados no seu interior. Faca como Elias, retire-se para perto do rio de águas vivas e faca um inventario dos poderes que lhe foram entregues por Deus.

-1Reis 17:7: E o anjo do SENHOR tornou segunda vez, e o tocou, e disse: Levanta-te e come, porque te será muito longo o caminho.

Parecia que a sua própria profecia, que anunciava uma grande seca, se voltava contra ele mesmo. Tudo isto, porem, era parte do currículo que, mostrava Deus como provedor amoroso e fiel.

Deus usa os instrumentos mais estranhos em seu processo de ensino. Depois do "Bife Delivery" entregue por um motoqueiro voador e comedor de carniça, ele agora e alimentado por uma viúva. Viúvas eram carentes de caridade e não um meio de provisão. Não eram assistidas por pensão, SUS e seguro desemprego, recursos a respeito dos quais dizemos: - E ruim viver com eles, mas pior ainda sem eles.

Ali estava Elias, vivendo as custas de corvos e viúvas, mas convivendo todos os dias com o elemento milagroso. Deus e fiel, nem a morte, encantamentos, fome e ameaças podem com ele. Nada e maior do que o seu amor.

Ubirajara Crespo