A Nova Direção proposta aqui é uma retomada de rumos já tomados pela Igreja. resgatar valores antigos, mas sem perder o contato com a realidade atual. A mensagem de Jesus continuará relevante, mesmo que seque a erva e murche a flor.
Tudo o que vem dele, é permanente.
O amor de Cristo por nós, sua Palavra, suas promessas e sua posição única no topo do universo, continuam sendo as mesmas, aconteça o que acontecer na base. Se for preciso, vamos mudar o rumo e voltar atrás, para bem longe da cauda.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

COMENTÁRIO SOBRE A CARTA DE RENÚNCIA DO GONDIN

VAMOS MUDAR ESTE DNA?

Depois de escrever uma carta renunciando ao rótulo de Evangélico, mas sem renunciar a Cristo, o polêmico pastor Ricardo Gondin, rouba a cena mais uma vez. Não vejo críticas e propostas que ainda não tenham sido feitas.

A Igreja evangélica atravessa uma crise sem precedentes, praticamente já vestiu a camisa da mãe das abominações, e todo mundo sabe disto, embora poucos tenham a coragem de falar. O Gondim é cabra de coragem e falou. 

Em certo sentido eu o parabenizo pela decisão corajosa e pelas críticas corretas e muito apropriadas. Ele é dono do seu próprio nariz, maior e vacinado, dirão alguns, espero que não, pois particularmente já entreguei o comando do meu nariz a Jesus. Se um grande líder, como o Gondin, não estiver em harmonia com o Cabeça (Jesus Cristo), pode levar muitos cegos para o mesmo abismo. 

Certamente a tomada deste gesto já passou pela cabeça de muitos de nós, inclusive eu. Não sei se por falta de coragem, se para permanecer coerente com as minhas lutas a favor do Corpo ou fidelidade a pessoas a quem pastoreio, ainda não o fiz. A moral do Ricardo Gondin tem se mostrado exemplar, até o momento e neste sentido, o perdemos como modelo. Tudo vai depender dos próximos passos que vai tomar.

Visto ser um homem público, suas decisões terão grande repercussão e terá de aguentar algumas críticas, elogios e comentários, inclusive este que estou fazendo aqui.

Creio que ele não está mudando de fé, apenas de placa e alegando a manutenção da moralidade. O que significa romper com o sistema? Escrever uma carta cheia de críticas antigas já feitas por muita gente?



Mudar de sigla e de dono resolve? É assim que a engenharia genética da fé deve agir para mudar um DNA diabólicamente corrompido?

Tudo o que precisamos fazer é colocar um novo rótulo e fazer uma nova embalagem para fórmulas antigas?

A carta do Gondin traduz o que todos nós sentimos com relação ao que existe, mas não vejo propostas que ainda não tenham sido feitas no passado, e algumas em passados muitos remotos.

A própria Reforma não reformou tudo. O clericalismo continuou ativo, apesar de ganhar uma nomenclatura diferenciada. O poder institucional religioso mudou de dono e o papado ganhou novas fórmulas e novos títulos, mas também continua ativo.

O Gondin não usa deste tipo de estratagema (slogans chocantes), mas tem muita gente fazendo isto, e aproveito para falar nisto, de passagem: Pra que preciso de novos chavões vazios de prática tipo: "Resgate da Igreja Primitiva", "A volta ao cristianismo autêntico", "Evangelho Completo".

Sinceramente: Em quase meio século como evangélico, já ouvi isto antes e vi muitos usarem este tipo de discurso só para reconstruir antigas fórmulas e colocá-las nas mãos e bocas de novos donos.

Vou pagar par ver, pois já fui mordido por muitas cobras, e olha que tem muitas por ai.

O próximo passo será desmentir o que eu/você/ele dissemos ou não dissemos.

Se não vai mudar o DNA, é melhor deixar como está para ver como é que fica.

Ubirajara Crespo