A Nova Direção proposta aqui é uma retomada de rumos já tomados pela Igreja. resgatar valores antigos, mas sem perder o contato com a realidade atual. A mensagem de Jesus continuará relevante, mesmo que seque a erva e murche a flor.
Tudo o que vem dele, é permanente.
O amor de Cristo por nós, sua Palavra, suas promessas e sua posição única no topo do universo, continuam sendo as mesmas, aconteça o que acontecer na base. Se for preciso, vamos mudar o rumo e voltar atrás, para bem longe da cauda.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Quando a letra luta contra o Espírito...

2Cr 30.1: "Depois disto, Ezequias enviou mensageiros por todo o Israel e Judá; escreveu também cartas a Efraim e a Manassés para que viessem à Casa do SENHOR, em Jerusalém, para celebrarem a Páscoa ao SENHOR, Deus de Israel. Porque o rei tivera conselho com os seus príncipes e com toda a congregação em Jerusalém, para para celebrarem a Páscoa no segundo mês".

Um dos grandes dilemas enfrentados pela Igreja Primitiva foi o apego às tradições, por parte da facção judaica. Para os membros, de origem gentílica, era difícil a adoção de costumes que lhes eram totalmente estranhos. Refiro-me às festas, luas novas, sábados e uma grande quantidade de preceitos judaicos.
Apesar do rigor tradicionalista, algumas ocorrências históricas pontuais, revelam concessões. Estamos diante de uma destas concessões: uma celebração da Páscoa fora do tempo, mas dentro do propósito ao qual se propõe. Neste caso específico, coar mosquitos legais mataria o mover do espírito na nação.

Considerando a importância desta data para os judeus, uma mudança no calendário religioso tão repentina como esta, traz a leve desconfiança de que motivações, propósitos e meios são mais importantes do que formas. De que adiantaria preocopar-se com datas e formas quando motivações e atitudes estão erradas?
Somente depois da purificação do local de culto, que na época era o Templo de Jerusalém, as festividades da páscoa puderam ser observadas. Hoje, o único local de culto aceitável a Deus é o coração, que também necessita ser liberto do lixo comportamental e litúrgico acumulado.

Uma das sujeiras acumuladas no Templo e na vida nacional era o caudilismo. Sua opositoram a pluralidade da liderança, é exalada pelas palavras deste texto. Ezequias divulgou uma decisão tomada por um colegiado formado por nobres e clérigos, visto que a páscoa era uma festa não apenas religiosa, mas também nacional. Israel era um estado teocrático, onde a fé e os interesses nacionais construiriam um dueto que só adimitia cantar em uníssono.
Neste episódio os representantes da monarquia judaica se empenharam grandemente a favor do cumprimento dos decretos divinos. Atuando no mesmo lado, os levitas e sacerdotes ofereciam cobertura espiritual ao governo, enquanto os profetas, atuando acima destas estruturas, mas sem poder de veto, fiscalizavam as suas ações.

"Partiram os correios com as cartas do rei e dos seus príncipes, por todo o Israel e Judá, segundo o mandado do rei, dizendo: Filhos de Israel, voltai-vos ao SENHOR, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, para que ele se volte para o restante que escapou do poder dos reis da Assíria. Não sejais como vossos pais e como vossos irmãos, que prevaricaram contra o SENHOR, Deus de seus pais, pelo que os entregou à desolação, como estais vendo" (v.6). 
O número de pessoas que afluia ao Templo era maior do que a estrutura montada para o seu atendimento. Havia arrependimento sincero, que não conseguia ser expresso, liturgicamente, por todos. Ezequias, então, resolveu orar, pedindo a Deus, que tratasse a alma do povo conforme suas disposições internas e não apenas pela exteriorização ritualística.
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Com isto, ficou claro, mais uma vez, que os olhos de Deus enxergam além da dramatização litúrgica, Ele  vê o coração, não apenas o cumprimento do script. Esta percepção permaneceu fora do alcance dos judaizantes, que supervalorizavam a limpeza exterior, a letra, mas negligenciavam o que realmente vale, ou seja, a motivação pela qual nossa alma é curada.
Assim como ocorreu com a estrutura sacerdotal daquela época, as instituições eclesiásticas de hoje, com suas estruturas atuais, não conterão o mover do Espírito reservado para os últimos dias. Muita coisa bonita ocorrerá fora destes muros, e poderá ser rejeitada pelos que estão dentro. A visão denominacional estreita a nossa compreenção do mover de Deus. Nos mantém na letra do sistema, mas fora do Mover.

Precisamos de abertura para o que Deus quer nos mostrar, mas só para o que vém dele. Quanto maior a abertura, maior será o espaço que o Espírito Santo terá para manobrar. Estruturas predefinidas criam gargalos, principalmente quando afunilam em uma única pessoa.

"Porque uma multidão do povo, muitos de Efraim, de Manassés, de Issacar e de Zebulom não se tinham purificado e, contudo, comeram a Páscoa, não como está escrito; porém Ezequias orou por eles, dizendo: O SENHOR, que é bom, perdoe a todo aquele   o. Ouviu o SENHOR a Ezequias e sarou a alma do povo (v.19,20).   

Ore assim: Senhor Jesus, alarga o meu entendimento. Permita que eu veja além dos muros da minha vã religiosidade.

Ubirajara Crespo

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